OVNIs: os avistamentos do Pentágono


Nos últimos 17 anos, o Pentágono registrou 144 

avistamentos de objetos voadores não identificados. Agora, produziu um relatório confirmando isso e  admitindo que 143 deles não têm explicação. Entenda por que esses casos começaram a ser levados a sério – e conheça alguns dos mais intrigantes.

Texto Bruno Garattoni e Tiago Cordeiro
Ilustração Ju Sting
Design Carlos Eduardo Hara  

“Em 18 incidentes, descritos em 21 relatórios, observadores reportaram padrões de movimento ou características de voo não usuais. Alguns UAPs [sigla em inglês para “fenômenos aéreos não identificados”] pareceram ficar estacionários em correntes de vento, se mover contra o vento, manobrar abruptamente ou se mover em velocidade considerável, sem meios de propulsão discerníveis.” Vale a pena repetir o último trecho: “sem meios de propulsão discerníveis”. É nesse tom, com uma linguagem contida e ao mesmo tempo instigante, que o relatório Preliminary Assessment: Unidentified Aerial Phenomena (“análise preliminar: fenômenos aéreos não identificados”), produzido pelo Poder Executivo dos EUA e entregue ao Congresso americano no final de junho, descreve os avistamentos de objetos voadores não identificados, por militares, entre 2004 e 2021. São ao todo 144 incidentes, dos quais 143 não têm explicação (um único caso foi esclarecido: era um balão).

Em 80 avistamentos, o objeto foi “observado por múltiplos sensores”, incluindo radares, câmeras infravermelhas de aviões, miras de armas e também observação visual, a olho nu. Logo na terceira página, o relatório (1) diz: “Em um número limitado de incidentes, os UAPs pareciam exibir características de voo pouco usuais”. Eles se deslocam sem deixar qualquer rastro de calor, aceleram e freiam violentamente e chegam a girar sobre o próprio eixo enquanto se deslocam em alta velocidade – um movimento incompatível com a aerodinâmica e as tecnologias de propulsão conhecidas. Nenhum avião, helicóptero, drone ou míssil seria capaz de fazer isso. “Alguns dos UAPs parecem demonstrar tecnologia avançada”, afirma o documento. 

“Num pequeno número de casos, aeronaves militares captaram energia de radiofrequência (RF) associada com os avistamentos de UAPs.” Ou seja: embora não deixem rastros de calor, alguns dos objetos emitiram ondas eletromagnéticas – cuja explicação, ou função, é desconhecida. Em seguida, os militares dizem algo ainda mais intrigante. “O UAPTF [órgão criado pela Marinha dos EUA em 2020 para estudar esses fenômenos] possui uma pequena quantidade de dados que parecem mostrar UAPs demonstrando aceleração ou algum grau de gerenciamento de assinatura.” Gerenciamento de assinatura (signature management) é um termo usado, na aviação militar, para o conjunto de medidas empregadas para esconder uma aeronave – como dissipar o calor emitido pelo motor de um caça para impedir que ele seja “enxergado” e perseguido por mísseis inimigos. Sob a linguagem sóbria, o relatório está afirmando algo extraordinário: os objetos não identificados tomam medidas para evitar que sejam detectados.

Quais medidas, ele não diz. Essa informação, bem como as descrições detalhadas dos 144 avistamentos, está no Apêndice B – que é confidencial, e só foi apresentado ao Comitê Permanente de Inteligência do Congresso americano, formado por 22 parlamentares (13 do Partido Democrata e oito do Republicano) com acesso às informações mais sensíveis do Pentágono e das agências de inteligência dos EUA.

O documento faz uma ressalva: alguns dos avistamentos “talvez possam ser atribuídos a anomalias nos sensores”, e é preciso realizar “análises adicionais rigorosas”). E, em seguida, pede dinheiro: “algumas dessas investigações necessitariam de investimento adicional”. Também apresenta o termo UAP, substituindo o tradicional UFO.

Nos últimos anos surgiram alguns vídeos, que foram gravados por militares e tiveram a autenticidade confirmada pelo Pentágono, mostrando objetos voadores em situações estranhas [veja abaixo]. Mas por que os EUA resolveram, de uma hora para outra, revelar coisas que sempre mantiveram em segredo? A resposta exata também é um mistério. Mas ela envolve, em boa medida, coisas que não têm nada a ver com o espaço: as árvores e um bicho que não sobe nelas.

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